Menor oferta de animais, exportações aquecidas e valorização da arroba impulsionam aumento no preço da carne bovina em Mato Grosso do Sul
A valorização da arroba do boi gordo voltou a pressionar o preço da carne bovina em Mato Grosso do Sul. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram que cortes tradicionais ficaram até 11,73% mais caros em 2026 e acumulam reajustes de até 14,05% nos últimos 12 meses.
Segundo levantamento da Granos Corretora, a arroba do boi gordo passou de R$ 296,71, em agosto de 2025, para R$ 332,68 neste início de agosto de 2026. Em relação ao início do ano, quando era negociada a R$ 305,35, a valorização acumulada é de 8,9%.
Oferta menor e exportações sustentam preços
De acordo com boletim da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), a alta da arroba é resultado da menor oferta de animais prontos para o abate, aliada ao bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.
Em julho, a arroba alcançou média de R$ 330,67, representando valorização anual de 8,3%.
A entidade destaca que a redução da disponibilidade de animais tem garantido sustentação aos preços, enquanto a demanda internacional continua absorvendo parte significativa da produção estadual.
Abates caem no primeiro semestre
Dados da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) mostram que Mato Grosso do Sul abateu 2,08 milhões de bovinos entre janeiro e junho de 2026, uma redução de 1,6% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Mesmo com aumento pontual nos abates em junho, o acumulado do semestre permanece inferior ao registrado em 2025.
Exportações seguem em alta
No primeiro semestre deste ano, Mato Grosso do Sul exportou US$ 1,42 bilhão em carnes, crescimento de 40% em relação ao mesmo período de 2025.
O setor respondeu por 25,1% de toda a receita das exportações do agronegócio estadual, consolidando-se como a segunda principal atividade exportadora de Mato Grosso do Sul.
Segundo o economista Eugênio Pavão, o avanço das exportações reduz a quantidade de carne disponível para o mercado interno.
“Quanto maior o volume destinado ao mercado internacional, menor tende a ser a oferta para o consumidor brasileiro, o que contribui para a elevação dos preços”, explica.
Consumidor sente impacto
Embora a alta da arroba não seja repassada imediatamente ao consumidor, ela representa o principal custo da matéria-prima dos frigoríficos.
À medida que novas compras são realizadas pela indústria e distribuidores, os reajustes chegam aos supermercados, açougues e restaurantes.
O IPCA aponta que o grupo carnes acumula inflação de 7,61% em 2026.
Entre os principais aumentos registrados neste ano estão:
- Ponta de peito: +11,73%;
- Paleta: alta superior a 11%;
- Coxão mole: aumento superior a 11%;
- Contrafilé: alta acumulada de 14,05% em 12 meses;
- Costela: +6,68% em 12 meses.
No acumulado dos últimos 12 meses, o grupo carnes registra inflação de 8,71%.
Tendência é de preços elevados
Especialistas avaliam que a carne bovina deve permanecer com preços elevados nos próximos meses, principalmente se continuar a oferta reduzida de animais para abate e o ritmo forte das exportações.
Segundo Eugênio Pavão, a cadeia produtiva costuma repassar rapidamente os aumentos de custos, enquanto as reduções demoram mais para chegar ao consumidor.
“Os preços sobem de elevador, mas descem de escada”, resume o economista.
A expectativa do setor é de que o mercado continue aquecido ao longo do segundo semestre, sem perspectiva de redução expressiva no preço da carne bovina no curto prazo.





