A Mente é a parte invisível do cérebro, que nos conduz, através de experiências conscientes e inconscientes, ao nosso modo de pensar e agir, à nossa maneira de ser. A mente doutrina, entre muitas coisas, nosso pensamento, afetividade e comportamento. A Psiquiatria é a especialidade médica, que tem como finalidade principal o tratamento de doenças da mente e o enfermo mental é alguém que sofre de algo que faz parte desse universo invisível. São muitas as doenças psiquiátricas, porém as que mais estão ligadas aos atendimentos de emergência e às internações psiquiátricas são: ansiedade, depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtornos alimentares, dependências químicas e estados confusionais. Outras enfermidades mentais necessitam mais raramente dos tratamentos hospitalares.
Felizmente, a grande maioria dos doentes psiquiátricos não apresenta grande agitação, muito menos episódios de violência. Por outro lado, infelizmente, alguns deles, uma parcela pequena desses doentes, agita-se ou torna-se violenta e necessita, por isso, de contenção física para evitar que traga prejuízos a si, a outros, ou ao ambiente. Todavia, há critérios para usar contenção física e, nos casos de uso, como realizá-la, para não provocar danos físicos ou emocionais ao paciente. Antes, porém, a abordagem necessita se fazer através do diálogo e posição tranquila e empática por parte dos profissionais de saúde. A medicação vai ser necessária nesses casos e, sempre que possível, deve ser feita por via oral.
Se não houver aceitação desse tipo de abordagem por parte do paciente, passa-se à contenção mecânica, devidamente dentro da técnica, feita por membros da equipe, em número de cinco, sob a supervisão de um enfermeiro, ainda sem usar faixas de contenção no leito. Com o paciente imobilizado aplica-se o medicamento e o deixa livre nas dependências assistidas e protegidas da Instituição Hospitalar ou de Pronto Atendimento. Na maioria das vezes o paciente não revida o ato com violência e simplesmente o aceita com tranquilidade. Quando, porém, a agitação permanece, com advento de agressividade, aí sim, o paciente deve ser imobilizado, como já pontuado, dentro da técnica, e levado ao leito, onde são colocadas as faixas de contenção.
Há de se convir que qualquer contenção física se trata de medida extrema, que só deve ser realizada sob prescrição médica, com indicação formal para isso, ou seja, como último recurso, quando todos os outros meios de abordagem não tiverem obtido êxito e desde que haja risco iminente de danos à integridade física do próprio paciente ou de outros e, ainda, de danos materiais relevantes.
A contenção mecânica deve seguir protocolos rígidos para garantir a segurança do paciente. A contenção física jamais pode ser aplicada como forma de punição, nem para facilitar o trabalho da equipe, que tende a despreocupar-se com o paciente agitado ou agressivo contido, durante seu turno de trabalho.
É importante ter-se em mente que a contenção física deve ser feita sempre por curto espaço de tempo, ao lado do posto de enfermagem e sob rigorosa observação da equipe de serviço, que deve proceder à movimentação do paciente e cuidados com a higiene, alimentação hidratação do enfermo contido. Tão logo haja o efeito esperado da medicação ou assim que cesse o quadro agitacional, o paciente deve ser descontido. Infelizmente, nem sempre há, por parte das equipes de saúde, a preocupação que o paciente merece e a violência passa a ser maior por parte do profissional do que do próprio doente em crise.
Precisamos preparar mais os profissionais de saúde mental, assim como todos aqueles, ainda que terceirizados ou temporários nas instituições de saúde, quanto ao manejo adequado dos enfermos da mente. Necessitamos atentar para o fato de que a doença mental é como qualquer outra enfermidade e ninguém está imune a ela, podemos adquiri-la a qualquer momento da vida. Por isso e por questões éticas e morais, devemos buscar a humanização de todo e qualquer tratamento, incluindo os cuidados psiquiátricos. Não cabe aqui qualquer espécie de comportamento agressivo por parte daqueles que se propõem a cuidar. Precisamos ter sempre em mente que o paciente psiquiátrico, inclusive a minoria agressiva, precisa de acolhimento e tratamento humanizado.
FONTE: PRIMEIRA PÁGINA





