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terça-feira, agosto 4, 2026

‘Essa decisão é para todas as donas Luizas’, diz filho após paciente conseguir vaga de UTI 9 dias depois de morrer

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“Essa decisão não é só para mim. É para todas as donas Luizas que, no dia em que precisarem de uma UTI, tenham esse direito”, afirma Valdemar Klein sobre a decisão da Justiça que condenou o Estado de Mato Grosso a pagar R$ 530 mil de indenização pela morte da mãe, Luiza Klein, de 67 anos. A paciente morreu em 2025 após esperar dias por uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mesmo depois de uma decisão judicial determinar a transferência para um leito de terapia intensiva.

A sentença reconheceu falha na prestação do serviço público de saúde e fixou indenização por danos morais à família. O valor será dividido entre o viúvo, os três filhos e os oito netos de Luiza. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.

Moradora da Agrovila das Palmeiras, em Santo Antônio de Leverger, Luiza Klein foi diagnosticada inicialmente com cálculos nas vias biliares. Durante o tratamento, uma biópsia também confirmou um câncer.

Dois meses depois, com o agravamento do quadro, ela foi internada em um hospital de Campo Verde e precisava, com urgência, de uma vaga de UTI com suporte oncológico. A família conseguiu uma decisão judicial favorável, por meio da Defensoria Pública, determinando a transferência imediata.

Apesar da ordem da Justiça, o leito só foi disponibilizado nove dias depois. Luiza foi transferida para Cuiabá, mas morreu no dia seguinte. A certidão de óbito aponta choque séptico, decorrente de uma infecção generalizada, como causa da morte.

“A porta era de frente para a UTI. A gente pedia, pelo amor de Deus, para colocarem a mãe da gente lá. Cada dia que passava, ela piorava mais”, relembra a filha, Marilene Klein Carvalho.

Na época, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informou que a demora era consequência da alta ocupação dos leitos de UTI provocada pelo aumento dos casos de dengue e chikungunya e que as vagas eram liberadas conforme outros pacientes recebiam alta.

Justiça reconhece falha do Estado

Na sentença, a Justiça concluiu que houve falha grave na prestação do serviço público ao não garantir, em tempo hábil, o cumprimento da decisão que determinava a internação da paciente em uma UTI.

Para Valdemar Klein, a condenação representa mais do que uma compensação financeira.

“Dinheiro nenhum vai trazer minha mãe de volta. A saudade continua. Mas espero que essa decisão sirva para que outras famílias não passem pelo que nós passamos.”

Defensoria recebe até seis pedidos por semana

O defensor público Camilo Fares Neto explica que situações semelhantes continuam sendo frequentes em Mato Grosso. Segundo ele, a Defensoria Pública recebe, em média, entre quatro e seis pedidos semanais para garantir judicialmente transferências hospitalares.

Mesmo com decisões favoráveis, o principal obstáculo continua sendo a falta de leitos disponíveis.

A orientação é que pacientes ou familiares procurem a Defensoria assim que houver indicação médica para transferência e dificuldade no acesso ao tratamento, levando documentos pessoais e a documentação emitida pelo sistema de regulação.

Cirurgia foi autorizada um ano após a morte

Além da demora pela vaga de UTI, a família afirma ter vivido outro episódio que simboliza a falha do sistema de saúde. Um ano após a morte de Luiza, a Secretaria de Estado de Saúde entrou em contato informando que a cirurgia solicitada pelo SUS havia sido autorizada.

“Minha mãe já não estava mais aqui. Eu disse que aquilo era uma vergonha. Ela precisava da cirurgia quando estava viva”, relembra Valdemar.

Para a família, a condenação representa o reconhecimento de que houve falhas no atendimento, mas não ameniza a perda.

“Essa decisão é para todas as donas Luizas. Para que ninguém precise esperar tanto por um tratamento que pode salvar uma vida”, conclui o filho.

O que diz a Secretaria de Estado de Saúde

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informou que não houve omissão no atendimento ao caso de Luiza Klein. Segundo a pasta, desde que o pedido de transferência foi registrado, foram adotadas as medidas necessárias para buscar um leito de UTI, de acordo com os critérios da regulação e a disponibilidade de vagas.

A secretaria também afirmou que a decisão judicial ainda não é definitiva e que o Estado irá analisar a sentença para decidir se apresentará recurso.

A SES destacou ainda que a rede estadual mais do que dobrou a oferta de leitos de UTI nos últimos anos, passando de 302, em 2018, para 664 em 2026. Conforme a pasta, a taxa atual de ocupação é de aproximadamente 80%.

Por fim, a secretaria informou que dois novos hospitais estaduais já foram entregues e que outros três estão em construção, com o objetivo de ampliar a oferta de leitos e fortalecer a assistência hospitalar em Mato Grosso. Veja vídeo:

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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