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terça-feira, agosto 11, 2026

Laranja azeda que nem sempre agrada ao paladar pode virar óleo essencial para franceses

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Embora o nome já entregue que ela não agrada todos os paladares, a laranja azeda, bastante conhecida em Mato Grosso do Sul, está longe de ser um produto sem valor. O que para muitos brasileiros não passa de uma fruta de sabor forte, para os franceses representa uma oportunidade de negócio milionário.

A planta, tradicionalmente utilizada no preparo da linguiça de Maracaju, agora está no centro de um projeto internacional que pode transformar o estado em referência na produção de óleos essenciais para o mercado de aromaterapia.

A proposta é do Laboratoire Altho, empresa francesa especializada em produtos orgânicos, que pretende instalar em Mato Grosso do Sul uma unidade para processar as folhas da laranja azeda e produzir óleos essenciais de alto valor agregado.

Além da industrialização da matéria-prima local, o projeto prevê transferência de tecnologia e a criação de novas oportunidades para produtores rurais.

Oportunidade para pequenos produtores

Segundo o CEO da empresa, Thomas Rostaing, a iniciativa pode abrir portas principalmente para pequenos agricultores, que terão a possibilidade de diversificar a produção e acessar mercados internacionais.

“Será uma grande oportunidade para que pequenos produtores desenvolvam novos projetos. O objetivo é introduzir novas plantas e novas produções para ingressar no mercado mundial de aromaterapia, com produtos de alta qualidade e certificação orgânica provenientes de Mato Grosso do Sul”, afirma.

Laranja azeda deve ser transformada em óleo essencial para abastecer o mercado global de aromaterapia. (Foto: Ceasa/MS)

Laranja de MS no radar europeu

O interesse pela laranja azeda faz parte de um movimento mais amplo de aproximação entre empresas francesas e o agro de Mato Grosso do Sul. O Estado tem atraído a atenção de investidores estrangeiros interessados em cadeias produtivas capazes de agregar valor, inovação e sustentabilidade.

Para o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, a chegada desses empreendimentos demonstra a confiança no potencial do setor agropecuário sul-mato-grossense.

“Esses investimentos indicam uma agenda alinhada à inovação, sustentabilidade e incremento de produtividade no setor agropecuário estadual”, destaca.

Laranja azeda
O ingrediente da linguiça de Maracaju que despertou o interesse de franceses. (Foto: Famasul)

A Rota Bioceânica ajuda a atrair diversos investidores. O corredor logístico de aproximar o Mato Grosso do Sul dos portos do Oceano Pacífico, reduzindo distâncias até mercados asiáticos e ampliando as oportunidades para a instalação de indústrias de processamento, armazenagem e exportação.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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