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sexta-feira, agosto 14, 2026

Mato Grosso teve 123 mortes de crianças indígenas de até 4 anos em 2025

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Mato Grosso registrou 123 mortes de crianças indígenas de até 4 anos em 2025, o terceiro maior número do país. O estado ficou atrás apenas do Amazonas, com 306 óbitos, e de Roraima, com 158. Juntos, os três estados concentraram 57,3% das mortes registradas nessa faixa etária.

Os dados fazem parte do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Ao todo, 1.024 bebês e crianças indígenas de até 4 anos morreram no país no ano passado, número superior aos 922 óbitos contabilizados em 2024.

O levantamento aponta ainda que 586 das 1.024 mortes, o equivalente a 57% do total, decorreram de causas consideradas evitáveis. Entre elas estão doenças e complicações que poderiam ser prevenidas ou controladas com medidas como atenção adequada à saúde, vacinação, diagnóstico e tratamento.

Entre as principais causas evitáveis identificadas no país estão gripe e pneumonia, responsáveis por 104 mortes, além de doenças infecciosas intestinais, diarreias e gastroenterites, com 85 óbitos, e desnutrição, com 32. O relatório também registra números elevados relacionados à gravidez, ao parto e a infecções ocorridas no período próximo ao nascimento.

O documento, no entanto, não apresenta nesse trecho um detalhamento das causas específicas das 123 mortes registradas em Mato Grosso. Por isso, os números nacionais de causas evitáveis não podem ser automaticamente aplicados aos óbitos ocorridos no estado.

Dados vêm de diferentes bases de saúde

Para chegar aos números, o Cimi sistematizou informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), das secretarias estaduais de Saúde e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e de consultas a bases públicas.

O próprio relatório chama atenção para diferenças de abrangência e atualização entre as bases. A Sesai reúne informações das comunidades atendidas pelos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), enquanto o SIM possui abrangência nacional e também inclui registros de mortes ocorridas em contexto urbano. Para cada estado, o levantamento utilizou a base considerada mais atualizada.

Além da mortalidade infantil, o relatório aponta aumento em outras formas de violência e violações contra os povos indígenas em 2025, incluindo assassinatos, suicídios e conflitos relacionados aos direitos territoriais.

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