Uma tecnologia capaz de substituir temporariamente as funções do coração e dos pulmões durante cirurgias começou a operar no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso. A unidade pública é a primeira do Brasil a contar com dois equipamentos de circulação extracorpórea dessa nova geração.
Conhecida como máquina coração-pulmão, a tecnologia mantém a circulação e a oxigenação do sangue enquanto o coração e os pulmões precisam ter suas funções interrompidas durante determinados procedimentos cirúrgicos.
Em todo o Brasil, existem cinco equipamentos desse modelo. Segundo o hospital, os dois instalados em Mato Grosso foram os primeiros a entrar em operação no país.
Tecnologia monitora paciente em tempo real
Além de assumir temporariamente funções vitais durante a cirurgia, o equipamento possui sensores que acompanham em tempo real diferentes parâmetros do paciente.
A máquina também consegue realizar análises do sangue simultaneamente ao procedimento, incluindo a gasometria, exame que mede os níveis de oxigênio, gás carbônico e a acidez do sangue.
Em equipamentos sem essa tecnologia, profissionais precisam retirar amostras de sangue ao longo da cirurgia e encaminhá-las para análise. Com o novo sistema, esse acompanhamento é realizado automaticamente durante a passagem do sangue pela máquina.
Segundo o coordenador do centro cirúrgico do Hospital Central, Iuri Tamasauskas, o equipamento reúne sensores de segurança capazes de monitorar o fluxo e outros parâmetros durante a cirurgia, além de realizar análises laboratoriais e gasométricas em tempo real.
Quando a máquina coração-pulmão é usada?
A circulação extracorpórea é utilizada principalmente em cirurgias cardíacas nas quais é necessário interromper temporariamente as funções do coração e dos pulmões.
Entre os pacientes que podem precisar do equipamento estão vítimas de infarto com insuficiência coronariana e crianças com cardiopatias congênitas, além de pessoas submetidas a outros procedimentos cardíacos de alta complexidade.
Durante a operação, o sangue é direcionado para o equipamento, onde é oxigenado e depois devolvido ao organismo, permitindo que os médicos realizem a cirurgia enquanto a circulação sanguínea é mantida.
Segundo o hospital, a tecnologia instalada segue diretrizes de segurança da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e da Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea.

Hospital tem 11 salas cirúrgicas
O centro cirúrgico do Hospital Central de Alta Complexidade conta com 11 salas. Uma delas é destinada às cirurgias robóticas e outra aos procedimentos minimamente invasivos realizados com aparelho de hemodinâmica.
De acordo com a diretora do hospital, Alessandra Bokor, a estrutura foi planejada para receber cirurgias de alta complexidade, que exigem procedimentos especializados. A incorporação de tecnologias mais modernas busca aumentar a segurança e a qualidade da assistência prestada aos pacientes de Mato Grosso.
Atendimento é 100% pelo SUS
O Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso é uma unidade pública estadual administrada pelo Einstein Hospital Israelita.
O atendimento é 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes atendidos na unidade são encaminhados pela Central Estadual de Regulação.
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