O governo brasileiro decidiu manter as relações diplomáticas com a Argentina no nível de encarregado de negócios enquanto persistirem as críticas do presidente Javier Milei às instituições democráticas do Brasil. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (5) por uma fonte do Itamaraty à AFP, em meio ao agravamento da crise entre os dois países.
Segundo a fonte, Brasília considera “absolutamente desrespeitosas” as declarações do presidente argentino contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e autoridades brasileiras. Milei tem feito críticas recorrentes ao chefe do Executivo e, recentemente, voltou a atacar o governo brasileiro durante participação no evento que oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em São Paulo.
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A tensão diplomática levou o Brasil a rebaixar o nível das relações com a Argentina na terça-feira (4) e convocar para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, que permanecerá no país. O governo argentino informou que Brasília teria solicitado a retirada de seu embaixador, Daniel Raimondi, mas o Itamaraty negou a informação e afirmou que a permanência ou saída do diplomata cabe exclusivamente à administração argentina.
Em resposta à decisão brasileira, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina classificou o rebaixamento das relações como uma medida “puramente ideológica”. O Itamaraty rejeitou essa interpretação e afirmou que a posição adotada decorre das sucessivas declarações de Milei contra as instituições brasileiras, ressaltando que o Brasil mantém relações diplomáticas com governos de diferentes orientações políticas.
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