Uma menina brasileira de 9 anos, que vive na Região Metropolitana de Belo Horizonte, teve uma crise de riso que durou mais de três horas. Preocupada com a filha, a mãe a levou ao hospital e descobriu algo que foi uma enorme (e desagradável) surpresa.
De acordo com o jornal Metrópoles, tudo começou com uma brincadeira.
Eduarda Barbosa estava em casa com a mãe, Alinne Barbosa, de 38 anos, fotógrafa e estudante de enfermagem, e as irmãs quando começou a rir de forma descontrolada.
Alinne também riu, assim como as irmãs de Duda, como a menina é chamada pelos mais próximos.
No entanto, a menina não parava de gargalhar, nem mesmo quando todos permaneceram em silêncio. Duda estava consciente e respondia por meio de gestos, mas não conseguia controlar o riso nem falar.
Ao notar que as pupilas da filha estavam dilatadas e que havia uma mudança em seu olhar, Alinne decidiu levá-la ao Hospital Municipal de Contagem.
O episódio foi considerado isolado pela equipe médica que a atendeu. Duda não foi diagnosticada com epilepsia, como chegou a ser cogitado. Ela teria tido uma “crise gelástica”, ou seja, uma “manifestação epiléptica rara marcada por episódios involuntários de riso”.
Brincadeira? Não!
Antes de perceber que poderia se tratar de um problema de saúde, Alinne pensou que a filha estivesse simplesmente “fazendo graça”.
“Perguntava se estava suja ou se tinha escrito palhaça no meu rosto e ela continuava gargalhando”, relatou.
No entanto, agora sabe que se tratava de algo bem mais sério. Depois de vários exames, a pediatra que atendeu Duda explicou que o episódio teria sido “isolado”, “desencadeado por ansiedade ou estresse, no qual ela, por ser criança, não conseguiu expor o que estava sentindo, desabafar o que estava acontecendo”, contou a mãe.
Ao site brasileiro, o neurologista e neurofisiologista clínico Victor Hugo Castro de Sá explicou que uma “crise gelástica é um tipo raro de crise epiléptica. A condição apresenta episódios de riso involuntário. A pessoa ri sem sentir alegria, pois o riso é desencadeado por uma descarga elétrica anormal no cérebro, ligada a uma lesão benigna chamada hamartoma hipotalâmico”.
“Entre as possíveis causas está o hamartoma hipotalâmico, uma lesão benigna, ou seja, não cancerosa, localizada na região do hipotálamo. Essa é a associação considerada clássica com as crises gelásticas na infância”, destacou.
Segundo o médico, nesses casos, “o riso é puramente mecânico e neurogênico (gerado por uma descarga elétrica anormal no cérebro), sem que o paciente sinta alegria de fato”.
Um dos principais sinais da “crise gelástica” é justamente a ausência de uma situação que justifique o riso. O episódio pode começar repentinamente, sem piada, estímulo cômico ou motivo aparente.
O médico ressaltou ainda que o riso também pode apresentar um aspecto diferente do habitual, parecendo forçado, artificial ou até robótico, sem a expressão emocional normalmente associada à alegria.
Em geral, a “crise” é breve, durando de alguns segundos a menos de um minuto. Outra característica importante é que a pessoa não consegue interromper o episódio por vontade própria.
Além do riso, de acordo com o especialista, podem surgir outros sinais, como alteração discreta da consciência, olhar fixo, vermelhidão no rosto, aumento dos batimentos cardíacos e movimentos automáticos, como estalar os lábios.
Outras alterações cerebrais também podem estar relacionadas ao quadro: tumores benignos ou malignos, displasias corticais e malformações vasculares localizadas nos lobos temporal ou frontal.
O que fazer?
Diante de um caso como o de Duda, é aconselhável prestar atenção à “segurança da pessoa”, “manter a calma e colocá-la em um ambiente seguro, como uma cadeira macia ou o chão, retirando de perto objetos que possam causar ferimentos”.
Não se deve tentar segurar a pessoa ou impedir o riso à força. Também é importante não colocar os dedos ou qualquer objeto dentro da boca.
Cronometre o episódio e anote alterações, perda de consciência e outros sinais. Se possível, faça um vídeo para mostrar aos médicos.
Depois que o episódio terminar, lembrou Victor Hugo Castro de Sá, a pessoa pode ficar confusa, cansada ou constrangida. Nesse momento, “ofereça tranquilidade e apoio”.
Diante da situação que viveu, a mãe de Duda considerou que o melhor seria alertar outras pessoas sobre sintomas que ainda são desconhecidos por muitos.
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