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segunda-feira, agosto 3, 2026

Seus pets sentem mais do que demonstram: clima extremo pode colocar seus animais em risco

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Pets como coelhos e roedores podem parecer resistentes às mudanças de temperatura, mas a realidade é bem diferente. Sensíveis ao frio intenso e ao calor extremo, esses pequenos animais podem sofrer complicações graves quando expostos a condições inadequadas, muitas vezes sem demonstrar sinais evidentes de desconforto.

Em entrevista ao Portal Primeira Página, a médica veterinária especializada em animais exóticos, Penélope Leite, da Pró Exotics, explicou quais cuidados os tutores devem adotar para proteger seus pets durante períodos de temperaturas extremas.

“Acho que o principal é não subestimar o animalzinho. Muitas vezes ele está sentindo frio ou calor, mas não demonstra da forma que outros animais demonstrariam. Eles sentem, sim. O tutor precisa manter um ambiente adequado e fazer esse controle de maneira preventiva”, alerta a veterinária.

Frio intenso: manter dentro de casa pode fazer toda a diferença

Durante o inverno, uma das principais recomendações é evitar que coelhos e roedores fiquem expostos ao vento e às baixas temperaturas, especialmente durante a noite e nas primeiras horas da manhã.

Segundo Penélope, o ideal é que as gaiolas e recintos permaneçam dentro da residência, em locais protegidos e que permitam o acompanhamento frequente do tutor. Além disso, ela recomenda reforçar o conforto térmico dos recintos.

“No caso das gaiolas, a gente pede para colocar mais paninhos, mais suportes para esses animaizinhos. Os coelhos e alguns roedores conseguem se aquecer relativamente bem, especialmente quando têm acesso a feno e materiais adequados para se acomodar.”

🎥 VÍDEO: Onde posicionar a gaiola ou recinto durante o frio

Atenção aos pets mais sensíveis

Algumas espécies exigem cuidados extras. É o caso dos animais sem pelos, como determinados tipos de hamster e outros roedores exóticos.

“Dependendo do animalzinho, como os que não têm pelos, a gente pode precisar colocar roupinhas ou até utilizar aquecedores de ambiente, porque eles são mais sensíveis ao frio e precisam de uma atenção maior.”

Outro ponto importante é reforçar a alimentação durante os meses mais frios, oferecendo maior variedade de verduras, bastante feno e ração de qualidade para que os pets fiquem nutricionalmente fortalecidos.

O perigo invisível no frio

Um dos maiores desafios para os tutores é que coelhos e roedores dificilmente demonstram quando algo não vai bem. Segundo a veterinária, muitas doenças podem permanecer ocultas e serem agravadas pelo frio.

“Tanto os coelhos quanto os roedores escondem muito os sinais clínicos. Às vezes, eles já estão com alguma enfermidade e o frio acaba sendo o fator que agrava a situação e faz com que o problema apareça.”

Quando a exposição ao frio é prolongada, os riscos podem ser sérios.

“Animais expostos a temperaturas muito baixas podem chegar à clínica debilitados e com a temperatura corporal reduzida. Em alguns casos conseguimos reverter, mas infelizmente nem sempre.”

🌡 Calor extremo também é emergência

Se o inverno exige cuidados, as ondas de calor não ficam atrás. Coelhos e roedores têm grande dificuldade para dissipar o calor corporal e podem desenvolver rapidamente quadros de desidratação e hipertermia.

Por isso, manter água fresca sempre disponível é indispensável. A veterinária também indica alternativas simples para ajudar os pets a enfrentar os dias mais quentes.

“Dependendo da situação, podemos colocar travessinhas com areia de quartzo para eles se refrescarem. Também é possível usar garrafas congeladas envolvidas em panos, criando pontos mais frescos para o animal escolher onde ficar.”

🎥 VÍDEO: Como refrescar coelhos e roedores durante dias muito quentes

Sintomas que exigem atenção imediata

Os tutores devem ficar atentos ao comportamento dos pets, tanto durante o frio quanto no calor.

Sinais de alerta no calor:

  • Respiração ofegante;
  • Consumo alterado de água;
  • Fraqueza;
  • Letargia;
  • Comportamento incomum.

“Animais expostos ao calor excessivo podem chegar desidratados, com temperatura corporal elevada e respiração bastante ofegante. São situações que consideramos emergenciais”, alerta a médica.

Mudanças bruscas de temperatura podem provocar desidratação, hipotermia e agravar doenças já existentes nos pets. (Foto: Thauana Luares)

Sinais de alerta no frio:

  • Redução significativa da atividade;
  • Animal mais parado do que o habitual;
  • Sensação de corpo frio ao toque;
  • Falta de apetite.

“Se perceber que a atividade diminuiu muito ou que ele não está mantendo sua temperatura corporal habitual, o ideal é procurar atendimento antes que o quadro se agrave”, explicou Penélope.

Prevenção é o melhor cuidado

Embora pequenos, coelhos e roedores são extremamente sensíveis às variações climáticas. A recomendação dos especialistas é simples: manter os pets em ambientes protegidos, supervisionar frequentemente o comportamento deles e agir antes que os sinais de sofrimento apareçam.

“Eles sentem frio e calor como qualquer outro animal. A diferença é que muitas vezes não demonstram. Por isso, o tutor precisa estar atento e fazer esse cuidado preventivo todos os dias”, finaliza Penélope Leite.

Penélope alerta que coelhos e roedores não demonstram frio e calor da mesma forma que outros pets. (Foto: Thauana Luares)
Penélope alerta que coelhos e roedores não demonstram frio e calor da mesma forma que outros pets. (Foto: Thauana Luares)

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